<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2415735818025689452</id><updated>2011-07-25T16:34:28.648-07:00</updated><title type='text'>DONA BARATINHA</title><subtitle type='html'>Escrever não é uma escolha...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://jobrea.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jobrea.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Dona Baratinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16306008659502428503</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>18</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2415735818025689452.post-5403753287982443275</id><published>2011-03-22T10:04:00.000-07:00</published><updated>2011-03-22T10:08:01.639-07:00</updated><title type='text'>Eixo</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Taí&lt;/span&gt;...nunca tinha olhado por esse ângulo...bonito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O  que eu &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;tô&lt;/span&gt; fazendo olhando para cima? Agorinha mesmo eu &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;tava&lt;/span&gt; vendo o  chão...a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;muamba&lt;/span&gt;, os pés apressados, a sujeira dos dias corridos, aquela  gente jogada pelos cantos...eu não &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;tava&lt;/span&gt; no Largo da Carioca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tinha visto que o céu &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;tava&lt;/span&gt; azul, o rádio disse que ia chover...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca olhava para o céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez  fosse mesmo como ela dizia: era limitado como um daqueles cavalos que  usam vendas para tapar o mundo das &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;distrações&lt;/span&gt;. Ou eram as &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;distrações&lt;/span&gt; que  o mantinham no eixo, mascarando as esquinas? A vida que conhecia era  uma linha &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;reta&lt;/span&gt; com poucas paradas. Onde estava? Era preciso fazer o que  tinha que ser feito. Mais nada. Onde estava? Costas no chão, os pés para  cima. O céu, agora, era o único norte possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teria sido  sempre assim? Não se lembrava de ser uma criança teimosa. E até lembrava  de bastante coisa, só não confiava mais em nada. Chega um momento da  vida que o sujeito já ouviu tanta história que não sabe mais qual é a  sua. Todas eram...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...a turma da João da Mata, os bailes do  &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;Tijuca&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;Tênis&lt;/span&gt; Clube, o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;Maracanã&lt;/span&gt; estalando de novo. Pelo menos a data  tinha registro: o doce preto e branco dos anos 50. Só que ao vivo as  pessoas tinham cor. A mesma cor que elas têm hoje, eu acho, mas com  roupas melhores. Papai andava sempre de terno, bigode aparado e cabelo  engomado. Um homem correto. De &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;princípios&lt;/span&gt; e sapato engraxado... Ninguém  mais engraxa os sapatos. É por isso que o mundo tá do jeito que tá. De  cabeça para baixo...eu estou de cabeça para baixo...agora tem uma nuvem  passando... qual é mesmo o nome? &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;Nimbus&lt;/span&gt;? &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;Cirrus&lt;/span&gt;?  Não sabia. Não era bom  de geografia. Porque tinha pensado nisso? Geografia. Eu aprendi isso na  aula de geografia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já faz tanto tempo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...fazia tempo  que não esticava as pernas. Desde o nascimento da filha que não ia a  lugar nenhum. Não era de hoje que a lombar reclamava de dar expediente  todo dia naquela mesma cadeira, daquele mesmo escritório no centro da  cidade. Os carros, os cruzamentos, os ambulantes. Trinta anos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;zanzando&lt;/span&gt;  naquele labirinto e ainda sentia vertigem, fosse na amplidão da  Presidente &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;Vargas&lt;/span&gt; ou no aconchego do Arco do Teles. Meu Deus, que  cansaço. Meu corpo não sente nada. Só cansaço. O céu continua lá. Quem é  essa gente toda? Porque eles tão me olhando? O que eu &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;tô&lt;/span&gt; fazendo aqui  parado? Parado. Como estive a vida inteira. Parado. Os tornozelos  algemados à mesa de costura de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;Vilma&lt;/span&gt;. O coração rabiscado nos desenhos  coloridos de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;Letícia&lt;/span&gt;. Aquele era seu lugar. Estatelado no chão.  Estacionado no silêncio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quanto tempo estaria ali? Tempo  suficiente para desbotar os sorrisos, isso era certo. E fazer dele,  obsoleto. Tinha feito tudo por ela e agora não podia nem mais dar  opinião. Lembrava os tempos mais duros de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;Méier&lt;/span&gt;, aquele quarto-e-sala  que não batia uma brisa, o barulho do trem acordando o bebê. Ele e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;Vilma&lt;/span&gt;  começando a vida, queimando todo fôlego que a juventude oferecia.  Trabalhando sábado para crescer na firma. Queria poder dar de tudo para a  filha. No fim do ano, perto do Natal, quando o clima era mais informal,  levava &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;Leticia&lt;/span&gt; para passar o dia. Ela quase sumia atrás daquela mesa  cheia de papéis &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;desimportantes&lt;/span&gt;. Rabiscava &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;bloquinhos&lt;/span&gt;, mexia na máquina  de escrever, lanchava pão francês com presunto que as secretárias iam  comprar. E voltávamos de mãos dadas pelo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;metrô&lt;/span&gt;. Eu e aquele pingo de  gente, as pernas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;tortinhas&lt;/span&gt; que nem o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;Garrincha&lt;/span&gt;. Como ela podia ser tão  ingrata a ponto de não precisar mais dele? Quando foi que ela soltou  minha mão? Que céu é esse que toma conta de mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nuvem tinha  ido embora e a luz, que antes apressava os passos daqueles para quem o  tempo passava, agora parecia cansada. No azul escuro do céu, um sorriso  cor de laranja rasgava a paisagem. Podia ouvir o que ele dizia: é hora  de partir. O convite era sincero e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;afetuoso&lt;/span&gt;. E o abismo era seu para  saltar. Não tenho medo - respondeu - mas fico triste de perder o fim da  novela.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2415735818025689452-5403753287982443275?l=jobrea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jobrea.blogspot.com/feeds/5403753287982443275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2415735818025689452&amp;postID=5403753287982443275&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/5403753287982443275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/5403753287982443275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jobrea.blogspot.com/2011/03/eixo.html' title='Eixo'/><author><name>Dona Baratinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16306008659502428503</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2415735818025689452.post-8806359479530101600</id><published>2010-05-03T13:59:00.000-07:00</published><updated>2010-05-03T14:40:50.351-07:00</updated><title type='text'>Feliz dia das mães</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Semana passada o Bruno fez aniversário e, como presente, pediu à mãe que  cuidasse da Nina por uma noite. Ideia minha que estou há 84 dias  sentindo sono. Ela topou e eu fiquei animadíssima diante da perspectiva  de dormir sem ter um despertadorzinho bochechudo prestes a resmungar de  fome.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Os preparativos foram intensos. Em sendo dia de semana,  combinamos que eu a levaria sozinha e depois pegaria o Bruno no  trabalho. Como minha sogra mora na Barra, e alguns dos acessos ainda  estavam interditados por causa da chuva, achamos que era bom ir cedo e  evitar o trânsito da volta. Assim, depois do almoço, arrumei uma matula  exageradamente cheia de tralha, peguei o bebê e fui. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;No caminho  até Far Far Away, me bateu que aquele era só o começo da minha vida de  gado: daqui para diante, ser motorista é parte do meu job description.  Motorista, garçonete, babá, recreadora, professora, enfermeira e mais  uma série de profissionais que, tenho certeza, não tardarei em  descobrir. Nos próximos anos, meu papel será o de ajudar minha filha a  estar no mundo e começar sua longa caminhada rumo àquilo que a maioria  dos filhotes na natureza conquista quase imediatamente: a independência.  Um passinho - literal e figurado - de cada vez. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Até onde ela  entende, esta é o minha função. Jamais passará na cabeça dela - até  muitos anos mais tarde, se passar - que minha vida já foi muito  diferente. Que minha vida já foi só eu. E que eu optei por esse trampo  todo. Porque tinha tanto amor que sobrava para mais alguém. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Nesse  raciocínio, me dei conta que todo filho é, inevitável e naturalmente,  ingrato. Porque ninguém pode se sentir agradecido por algo que percebe  como uma obrigação. Que de fato é. Porque o que eu dei a ela não foi um  presente, foi um contrato de prestação de serviço para amparo físico e  emocional até que ela esteja pronta para soltar minha mão. Um dia -  daqui a muitos anos, quando eu já tiver esquecido essa tal vida que  abandonei recentemente - ela vai soltar. Mas não vai ser de repente.  Está sendo já. Desde a primeira dormida fora de casa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Achei que  tiraria de letra, que não sentiria a menor falta. "Imagina, só uma  noite." Surprise, surprise: a maternidade não tem nada de blazé. Saí da  casa da minha sogra em frangalhos. Fiquei preocupada da Nina estranhar a  casa. Fiquei com medo dela não reconhecer os cheiros e se sentir  abandonada. Fiquei achando que ela ia perder a confiança em mim. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Chegando  na zona sul, como tinha que esperar o Bruno sair do trabalho, fui fazer  uma das coisas que eu mais gosto no mundo: ir ao cinema acompanhada de  um balde de coca cola zero. Mas não consegui concentrar e acabei achando  o filme um porre. Fiquei pensando que o bebê ia ficar muito tempo sem  mamar no peito, só naquela mamadeira química horrorosa que deixa ela com  dor de barriga. E que minha sogra, coitada, ia cortar um dobrado  porque, às vezes, quando ela tá muito chatinha, só o colo de mamãe  resolve. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quando finalmente encontrei o Bruno fiquei aliviada  porque ele também estava péssimo. Nossa primeira hora juntos foi falando  dela e da tragédia que seria passar uma noite sem o nosso bebê. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mas  passou. Foi o tempo de tomarmos um banho e abrirmos um vinho. E foi uma  noite divertidissima, merecidamente. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Não dormi lá muito bem, é  verdade. Meu peito tava tão cheio de leite que acabei acordando bem mais  cedo do que eu gostaria. Simplesmente não é da natureza humana separar o  bebe da mãe tão cedo e por tanto tempo. Mas deu pro gasto. Daqui a uns  anos eu volto a dormir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quando chegamos para buscá-la, no dia  seguinte, ela estava empolgadíssima, do mesmo jeito que fica todas as  manhãs. E é tão pequena que não deve nem ter notado diferença na sua  rotina. Donde se concluir que o drama é o subproduto mais legítimo da  maternidade. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Eu simplesmente não esperava me deparar com um  sentimento inteiramente desconhecido. Nego fala tanto em amor de mãe,  faz aquelas pataquadas de flor desabrochando, coração cor de rosa, tudo  que há de mais careta e cafona que acaba corroendo a densidade de uma  energia que é totalmente transformadora. E que não há analogia que a  descreva. Porque a maternidade é um segredo cujo principal disfarce é  ser um grande clichê. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2415735818025689452-8806359479530101600?l=jobrea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jobrea.blogspot.com/feeds/8806359479530101600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2415735818025689452&amp;postID=8806359479530101600&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/8806359479530101600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/8806359479530101600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jobrea.blogspot.com/2010/05/semana-passada-o-bruno-fez-aniversario.html' title='Feliz dia das mães'/><author><name>Dona Baratinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16306008659502428503</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2415735818025689452.post-7698577364534490831</id><published>2010-04-18T12:53:00.001-07:00</published><updated>2010-04-18T12:53:44.716-07:00</updated><title type='text'>Filhos da PUC</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: verdana;font-size:100%;" &gt;Sempre  que eu vou à Pontifícia, tenho a impressão que as pessoas são  exatamente as mesmas que freqüentavam a faculdade quando eu estudava lá,  cerca de 10 anos atrás. É como se a vida se repetisse num desenho de  figuração feita de tipos padronizados, inclusive na diferença.&lt;/span&gt;&lt;p style="font-family: verdana; margin: 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana; margin: 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O povo de Direito, por exemplo, é  um dos mais fáceis de identificar. Os meninos parecem ainda mais  meninos, vestindo o terno emprestado do pai e carregando a mesma mochila  que até anteontem usavam para ir à escola. As meninas, de cabelo  alisado e meia calça, parecem que não suam e não se despenteiam nem na  canícula do Largo da Carioca. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana; margin: 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana; margin: 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não confundir com a mulherada de Administração que – ao  contrário do tipo boba-recatada das futuras dévogadas - costuma fazer o  tipo piriguete de luxo: salto alto, calça justa, penduricalhos de ouro e  camisa pólo masculina de alguma cor bem tediosa tipo azul marinho. Seu  futuro é a perpetuação do berço de ouro com o primeiro mauricinho de  casaco pendurado nas costas e carteira de sócio do Gávea Golf Clube que  aparecer. Filho de rico, riquinho é.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana; margin: 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana; margin: 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;No extremo oposto da escala social estão os alunos  de Serviço Social que, depois que foram escurraçados do Ed. Kennedy pelo  departamento de Comunicação, eu não sei mais onde foram parar. São as  únicas pessoas na faculdade inteira que maculam o desfile de penteados  mudernos, óclões, roupas de grife com pinta de cara ou com pinta de  hippie. Ali, moleque de 18 anos não lancha joelho de queijo e presunto,  compra cone de salmão. Esse tipo de riqueza pode ser bastante opressora.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana; margin: 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana; margin: 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Numa linha também um pouco menos  filhinho de papai estão os alunos de Engenharia e de Psicologia, que  parecem ser o correspondente de gênero um do outro. São a definição de  gente comum. Nem feios nem bonitos. Nem pobres, nem ricos, nem  terrivelmente cafonas, nem particularmente estilosos. Meninos de jeans,  tênis branco e camisa da taco. Meninas de twin set da feirinha de  Teresópolis. Vão ao cinema de mãos dadas assistir os filmes do Daniel  Filho. Até que a morte os separe.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana; margin: 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana; margin: 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Tem o povo do  desenho industrial - 100% chinelo, camiseta e cabelo de anteontem. Fazem  roda no meio do pilotis para desenhar um modelo vivo, justificando a  blazézisse diante da nudez com o argumento bichogriléssimo de que as  formas do corpo são uma coisa linda e natural. Tão sempre com cara de  quem ou ta indo para praia ou tá indo fumar um (ou tá indo fumar um na  praia).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana; margin: 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family: verdana;font-size:100%;" &gt; Tem a categoria super nerds, &lt;span style="font-size:100%;"&gt;um tanto mondronguinhos&lt;/span&gt;, que costumam ser alunos de  cursos-superiores-com-nome-de-matéria-chata-do-colégio como Física,  Química e Matemática. Tem a galera de História e Ciências Sociais que  formam chapas do DCE e dão impressão de que seriam bem mais felizes se  estudassem na UFRJ. &lt;/span&gt;&lt;p style="font-family: verdana; margin: 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: verdana; margin: 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E tem o povo da Comunicação, um balaio de gato que reúne desde a  cocota que sonha em substituir a Fátima Bernardes até os aspirantes a  músicos,  escritores e artistas plásticos que não tiveram coragem de  falar a verdade para os pais na hora de se inscrever para o vestibular.  Segundo uma pesquisa informal no pilotis, 98% deles se descrevem como  ecléticos. Foram, são ou serão fã do Los Hermanos. Acham legal gostar de  rock inglês. Usam AllStar, chapéu panamá e cantam marchinhas em blocos  de carnaval. Se acham muito inteligentes e se propõem a fazer análises  semióticas dos pobres tranzeuntes que lhe cruzam o caminho...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family: verdana;font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: verdana;font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;PS: Alguém mais mau  humorado pode argumentar que essas observações são pautadas em  estereótipos. Antecipo: claro que são. Estou aqui pensando em signos e  não em identidades. No entanto, vamulá: vc por acaso conhece algum aluno  de design que não seja meio bicho grilo? alguma historiadora que vá à  aula de taileur? Pois é. Estereótipos servem para alguma coisa. Nem que  seja para o meu próprio entretenimento.&lt;/span&gt; &lt;p style="font-family: verdana; margin: 0pt;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2415735818025689452-7698577364534490831?l=jobrea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jobrea.blogspot.com/feeds/7698577364534490831/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2415735818025689452&amp;postID=7698577364534490831&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/7698577364534490831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/7698577364534490831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jobrea.blogspot.com/2010/04/filhos-da-puc.html' title='Filhos da PUC'/><author><name>Dona Baratinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16306008659502428503</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2415735818025689452.post-6109235487427828524</id><published>2010-04-14T07:40:00.000-07:00</published><updated>2010-04-14T07:46:16.599-07:00</updated><title type='text'>Logorama</title><content type='html'>Para os amantes da comunicação, viciados em signos e geeks referenciais, o curta Logorama, do grupo francês H5, que ganhou o Oscar da categoria este ano, é um prato cheio. Ronald&lt;br /&gt;Mcdonald armado e perigoso é impagável...Dá uma olhada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://vimeo.com/10149605"&gt;http://vimeo.com/10149605&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2415735818025689452-6109235487427828524?l=jobrea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jobrea.blogspot.com/feeds/6109235487427828524/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2415735818025689452&amp;postID=6109235487427828524&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/6109235487427828524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/6109235487427828524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jobrea.blogspot.com/2010/04/logorama.html' title='Logorama'/><author><name>Dona Baratinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16306008659502428503</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2415735818025689452.post-495975327742566970</id><published>2010-04-07T14:49:00.000-07:00</published><updated>2010-04-07T15:03:31.472-07:00</updated><title type='text'>O pavor de virar adulto</title><content type='html'>Você tá sozinha? - perguntou um amigo ao telefone&lt;br /&gt;Não, a empregada tá aqui. Agora ela vem todo dia - respondi&lt;br /&gt;Caraca, você tem empregada todo dia? Você tá muito adulta!&lt;br /&gt;Hum, olha quem fala. Você tem um aparador na sala da sua casa. Aparador é móvel de pai.&lt;br /&gt;É mas é você que tem uma filha!&lt;br /&gt;E daí? Já, já você vai ter uma cristaleira que eu sei. Você sabe que quando chega a cristaleira acabou, né? É rumo a aposentadoria....&lt;br /&gt;Caraca, que merda, hein?&lt;br /&gt;É, gato, tamu ficando véio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inevitabilidade da vida adulta é uma pauta que vive rondando as discussões entre as pessoas da minha idade, posto que a vizinhança dos 30 anos é o ponto mais alto da ladeira de onde se rolará, com a ajuda de todos os santos, rumo às rugas e aos pés de galinha. Trata-se de um momento onde, ainda que de forma relutante, somos forçados a admitir que já não somos mais tão jovens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em termos práticos, não há como contra argumentar. Eu, por exemplo, tenho casa, marido, filha, emprego, carro, seguro de saúde e prestação da casa própria - predicados que põem medo em qualquer farofeiro que até pouco tempo era solto no mundo. De alguma forma, é como meus tornozelos estivessem presos a bolas de ferro que, pelo menos a principio, me impediriam de voar nuvens mais distantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a verdade é que nada disso me incomoda. Porque foram escolhas minhas. Eu adoro minha casa, meu trabalho, meu marido e minha filha. Eu sempre gostei de ter responsabilidade, sempre quis ter a idade que tenho agora e ser, completa e definitivamente, dona do meu nariz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo que meu coração preto, rebelde e sacana me acha uma prega quando vou dormir às dez da noite, quando estou cansada demais para sair, quando não dou mais conta de ir trabalhar de ressaca, quando recuso saideiras, substâncias interessantes e viagens repentinas. Saudades de ficar solta na rua, na mão do palhaço, com a jaca subindo até a batata da perna. Mas tudo bem, porque sempre tem um avô carente querendo ficar com os netos no final de semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me incomoda não é exatamente virar adulta. Não é pelo medo de perder a liberdade, nem por uma suposta ideia de decadência que pode ser atribuída à velhice. O que me preocupa é que a manutenção de todos esses compromissos pode significar algo que realmente me apavora: encaretar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que define um careta? Usar terno? Ler a Veja? Gostar de videocassetadas? Dizer Boa Noite pro Willian Bonner? Não beber? Não ter piercing, tatuagem nem cabelo vermelho? Ser heterossexual sem imaginação nem curiosidade? Depende. Isoladas nenhuma dessas características fornece uma evidência razoável. Elas só oferecem qualquer esclarecimento se entendidas como manifestação de um ethos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explico. O significado literal da palavra careta, segundo os oráculos online, é de contração do rosto. Deste, chega-se à conotação secundaria de máscara e aí reside a pista para o significado da gíria: careta são aqueles que se entregam ao jogo das máscaras sociais, que fabricam a expressão correspondente à situação adequada. São as pessoas da sala de jantar, ocupadas em nascer e morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo da vida, eu fui construindo um desprezo profundo pelo conceito de apropriado - ou seja, pela idéia de que existe um procedimento padrão de acordo com ocasiões pré-definidas. Acho muito triste que as pessoas ajam da forma que elas ACHAM que é esperado delas. Nunca entendi a quem essas pessoas prestam suas contas. À Deus? À sociedade? Afe. Me poupem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não pretendo assinar esse contrato. Mas hoje consigo enxergar porque as pessoas vivem no automático. A vida adulta - e aí reside a pressão que suscitou esse texto - não é bolinho. Quando você vê, está fazendo seu imposto de renda. É preciso resistir. Nas palavras do profeta sensação do capitalismo revolucionário: hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2415735818025689452-495975327742566970?l=jobrea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jobrea.blogspot.com/feeds/495975327742566970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2415735818025689452&amp;postID=495975327742566970&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/495975327742566970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/495975327742566970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jobrea.blogspot.com/2010/04/o-pavor-de-virar-adulto.html' title='O pavor de virar adulto'/><author><name>Dona Baratinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16306008659502428503</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2415735818025689452.post-3989195298281239483</id><published>2010-03-23T12:35:00.000-07:00</published><updated>2010-03-24T17:35:30.025-07:00</updated><title type='text'>dá licença: maternidade</title><content type='html'>&lt;p  style="margin: 0pt; font-weight: bold;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-family: georgia; font-size: 100%;"&gt;Eu  sou incapaz de elaborar qualquer pensamento sem  recorrer a uma  citação. Normalmente elas têm um mindinho de profundidade  e provêm das  fontes mais estapafúrdias. Mas são minhas, e eu não as  dispenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p style="margin: 0pt; font-weight: bold; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0pt; font-weight: bold; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;Neste   caso, tendo entrado recentemente no mundo da maternidade, o pensamento   que não sai da minha cabeça é a frase do caboclinho doido do &lt;i&gt;Primeiro   Dia&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt; - filme de Walter Salles  e Daniela  Thomas, ambientado na virada do milênio: “o 9 vai virar 0, o  9 vai virar  0, o 9 vai virar 0, o 1 vai virar 2. Vai tudo mudar”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0pt; font-weight: bold; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0pt; font-weight: bold; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0pt; font-weight: bold; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;De fato.  Tudo mudou.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0pt; font-weight: bold; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0pt; font-weight: bold; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0pt; font-weight: bold; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;Na minha  opinião, não há  nenhum tipo de preparação que dê conta de encarar a  pedreira que é ter  um filho. A pessoa tenta construir uma  infra-estrutura que facilite a  vida, garantir que o momento pessoal e do  relacionamento é oportuno,  buscar um tanto de equilíbrio emocional, e  até, fazer a cabeça para a  perspectiva de mudanças. Mas nada adianta  muito: jogo é jogo, treino é  treino.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0pt; font-weight: bold; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0pt; font-weight: bold; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0pt; font-weight: bold; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;Nos   primeiros dias, o bebê é hipnotizante. Você quer ficar olhando,   reparando em tudo e até pensa em cutucá-lo para poder brincar um   pouquinho: “Oba, hora de trocar a fralda” – pensa a maluca.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0pt; font-weight: bold; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0pt; font-weight: bold; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;A  relação  que se estabelece instantaneamente entre mãe e filho é o mais  próximo  que nós, homens, cegos por nossa racionalidade pretenciosa,  podemos  chegar da condição de bicho. Eu sou uma fêmea da minha espécie,   mamífera, fecundação interna, gestação intra-uterina, alimentação via   glândulas mamárias. Como qualquer animal, meu filhote, ainda alheio a   nossos códigos sociais, me reconhece pelo cheiro e por instinto se joga   contra o meu peito, aonde fica aninhada, curtindo seu momento parmalat.  A  natureza é uma coisa linda. Nunca estive tão bicho grilo. Terra  planeta  água.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0pt; font-weight: bold; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0pt; font-weight: bold; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0pt; font-weight: bold; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;Mas,   convenhamos: você mal conhece essa criaturinha. Ela acabou de chegar e   passa o dia todo berrando no seu ouvido. E você lá, a serviço dela, 24   horas por dia, queira você ou não. E não ganha nem um sorrisinho em   retorno. Às vezes dá vontade de esganar, fazer o que? Não  é porque eu  virei mãe que eu vou virar um ser humano elevado. Aliás,  essa abnegação  maternal é de uma hipocrisia que não combina com meu  corte de cabelo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0pt; font-weight: bold; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0pt; font-weight: bold; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;Acho  que chorei quase todos os dias  durante o primeiro mês. De medo, de  dúvida, de emoção, de cansaço, de  frustração e, às vezes, até de raiva  porque ter que acordar de madrugada  para alimentar meu tamagoshi não é  legal. Experimenta  colocar seu despertador para tocar a cada três  horas. Vê se você não  taca ele na parede no terceiro dia...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0pt; font-weight: bold; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0pt; font-weight: bold; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;A  verdade  é que amor não é algo instantâneo. É um processo que vem  acontecendo  desde o teste da farmácia. Eu desconfio sempre dessa gente  que sente  amor incondicional pelo borrão do ultrasom. Pode ser que  aconteça mas eu  tendo a achar que é mais uma construção do que um  sentimento genuíno. É  meio coisa de novela, de propaganda de margarina,  a mãe com o olhar  lânguido em direção ao filho, aquela imagem da  grávida plácida  acariciando a barriga. É bastante injusto que se  imponha esse modelo à  mulher. Amor não é assim com as goiabas...e ter  um filho é um  acontecimento profundamente perturbador: mexe com a  rotina, as  expectativas, os valores, as crenças e, em última instância,  o próprio  conceito de identidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0pt; font-weight: bold; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0pt; font-weight: bold; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0pt; font-weight: bold; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;Eu sei o  momento exato que percebi que amava minha filha.  Levou 15 dias. Nós  estávamos no carro, saindo do pediatra e ela desandou  a chorar.  Instintivamente, eu a abracei muito forte e fiquei repetindo:  eu te  amo, eu te amo, eu te amo. Ela dormiu e eu percebi que tínhamos  nos  acertado. Mas foi difícil. Bem difícil. Muito mais difícil que eu   poderia imaginar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0pt; font-weight: bold; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-family: georgia;"&gt;Ninguém me avisou. Ou se  avisou, eu não acreditei. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-family: georgia; font-size: 100%;"&gt;Quando  nunca se viveu uma  situação é impossível compreender exatamente as  emoções relacionadas a  ela. No entanto, por mais que eu compreenda a  inutilidade do conselho,  me sinto na obrigação de deixar registrado  para as futuras gerações. Por isso, voltando ao início do texto, recorro  a sabedoria alheia para  avisar, a quem interessar possa, que rapadura é  doce, mas não é mole  não.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:georgia;font-size:130%;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2415735818025689452-3989195298281239483?l=jobrea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jobrea.blogspot.com/feeds/3989195298281239483/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2415735818025689452&amp;postID=3989195298281239483&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/3989195298281239483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/3989195298281239483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jobrea.blogspot.com/2010/03/da-licenca-maternidade.html' title='dá licença: maternidade'/><author><name>Dona Baratinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16306008659502428503</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2415735818025689452.post-2098450018037530386</id><published>2010-03-23T12:26:00.000-07:00</published><updated>2010-03-24T17:42:34.816-07:00</updated><title type='text'>Voto Campanella</title><content type='html'>&lt;p  style="margin: 0pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;arte  gera arte. o cinema inspira. e um copo de vinho dá vontade de  escrever e de fumar...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Os chatos que me desculpem: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O segredo de  teus olhos &lt;/span&gt;pode ser &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;pipocão&lt;/span&gt; argentino, dependente do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;clichê&lt;/span&gt;  &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;hollywoodiano&lt;/span&gt; mas vamos abrir: é bom. Ok. Pode ser menos filme que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Fita Branca&lt;/span&gt; mas é, sem dúvida, mais legal.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Para mim,  filme bom é aquele que te pega pelo pé. Que intoxica, dá uma rasteira, derruba e te arrasta.  é sensorial, subcutâneo,  instintivo. Uma espécie de hipnose mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;Como sou  de história, nada melhor que um bom roteiro. E roteiro é &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;aritmética&lt;/span&gt;.  Você planta um elemento num primeiro momento, usa ele, de leve, uma  segunda vez para ele se fazer notar, volta a ele uma terceira vez, para  destacá-lo como ponto de recorrência, e portanto, de piada e, quando (e  se por acaso) usa uma quarta - coisa que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;não&lt;/span&gt; é para qualquer um - tem  que ser como a sua cartada final. Fina, elegante, perfeita como é o caso  da porta que a promotora-amada-de-Ricardo-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;Darin&lt;/span&gt; manda fechar, por  várias vezes no filme. Só no último &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;frame&lt;/span&gt; ela finalmente é batida e a  porta, assim como a história, se fecha. E ficamos de fora. Porque o  filme acabou, as luzes se acenderam e é hora de voltar para casa. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2415735818025689452-2098450018037530386?l=jobrea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jobrea.blogspot.com/feeds/2098450018037530386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2415735818025689452&amp;postID=2098450018037530386&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/2098450018037530386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/2098450018037530386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jobrea.blogspot.com/2010/03/voto-campanella.html' title='Voto Campanella'/><author><name>Dona Baratinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16306008659502428503</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2415735818025689452.post-7760902150187758934</id><published>2009-10-21T07:43:00.000-07:00</published><updated>2009-10-22T06:55:05.774-07:00</updated><title type='text'>Eu, Sigourney Weaver</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;“Na juventude, você aprende. Na maturidade, você entende.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem tá no meio do caminho, só olha, estarrecida... &lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem uma pessoa dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que vale repetir a frase com a devida ênfase: tem uma PESSOA dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltemos ao início: papai plantou uma sementinha dentro da mamãe. Essa sementinha entrou em um ovo e virou um bebê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, tá. E a gente, que é grande e sabido, explica isso para as crianças como se fizesse muito sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentemos novamente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um óvulo, que normalmente sangra depois do mau humor + um espermatozóide, que até onde eu entendo é uma espécie de girino = um SER HUMANO. Um conjunto de orgãos que fecha os olhos e sonha. Que pensa e dá risada. Que ama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lógico. Tudo muito natural. Analisado e provado pela ciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que vergonha, gente, ficar repetindo essa baboseira como se não fosse um mito como outro qualquer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que as meioses e mitoses da vida possam ir se dividindo e multiplicando as células, eu nem duvido não. Mas uma pessoa é muito mais do que tecidos, células e fluxo sanguineo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma vida. É uma alma. Um suspiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, na ausência de uma palavra menos carregada, um milagre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem conotação religiosa que yo no lo creo en brujas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... pero que las hay, las hay.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não acho que exista um responsável por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, sinceramente, acho um desgaste inútil tentar descobrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nunca nada me pareceu tão mágico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei o Bruno, mas se a Nina vier me perguntar da onde vêm os bebês, eu vou dizer que é pó de pirlipimpim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Eu sei. Eu devo ser a única pessoa no mundo que nunca pensou a esse respeito mas essa sou eu: Pedro Bó até que eu mesma me prove o contrário.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2415735818025689452-7760902150187758934?l=jobrea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jobrea.blogspot.com/feeds/7760902150187758934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2415735818025689452&amp;postID=7760902150187758934&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/7760902150187758934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/7760902150187758934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jobrea.blogspot.com/2009/10/eu-sigourney-weaver.html' title='&lt;strong&gt;Eu, Sigourney Weaver&lt;/strong&gt;'/><author><name>Dona Baratinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16306008659502428503</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2415735818025689452.post-6439775482570778278</id><published>2009-07-29T17:48:00.000-07:00</published><updated>2009-07-29T17:55:53.639-07:00</updated><title type='text'>Conto de fodas  - dedicado ao Comando Rosa</title><content type='html'>Era uma vez uma menina super bacana chamada Cinderela. Bonita, 20 poucos anos, ganhava a vida honestamente faxinando casa de família. Dormia no emprego. Menina simples. Jeans e camiseta. &lt;br /&gt;Trabalhava duro e cumpria todas as tarefas do seu longo dia, ainda que, de vez em quando, tomasse umas paradas muito doidas e entrasse numa de conversar com os animais da varanda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E aí, bicho?!  -  dizia para o passarinho achando a maior graça no próprio trocadilho. - Tá tirando onda nos vocais hoje, hein?&lt;br /&gt;- Pô, Cindi...esses farelos novos que os ratinhos arrumaram tão fazendo maravilhas pela minha arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, um amigo bichinha-assessor-de-imprensa ligou convidando para uma festa numa casa que, segundo ele, era um verdadeiro palácio.  Como toda duranga, aceitou a boca livre sem pestanejar. Ligou para sua madrinha que era costureira no Projac e encomendou um figurino de núcleo rico da novela das oito. Fez a chapinha e foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando lá, em meio a canapés e fluts gratuitas, tropeçou num mauricinho que a chamou para dançar. Dançaram. E carência seja dita, deu uns beijos no rapaz. Estavam no meio de uns amassos num canto remoto dos jardins quando ele começou com um papo brabo de que estava apaixonado e queria se casar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cindi, que já era rodada, rapidamente percebeu a deixa, deu um perdido no malandro e saiu a la leão da montanha. Esticou o braço e chamou um táxi, o melhor amigo da mulher solteira. &lt;br /&gt;A caminho de casa, no entanto, percebeu que tinha perdido o celular. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Merda...sequelei... paciência – pensou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, de ressaca, enquanto limpava os vidros da janela da sala pelo lado de fora, ouviu um comentários entre as filhas inúteis da sua patroa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ligou um cara perguntando se alguém aqui em casa perdeu o celular...  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinderela, sempre de botuca ligada, pensou: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que sorte o taxisita deve ter achado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As barangas continuaram o papo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O meu não perdi – resmungou uma das irmãs.&lt;br /&gt;- Nem o meu. E eu já ia dizendo isso quando, por sorte, eu perguntei quem tava falando.&lt;br /&gt;- Quem era? – respondeu a outra bocejando&lt;br /&gt;- O Roberto Valentino!&lt;br /&gt;- Quem?&lt;br /&gt;- Aquele da novela das 7!&lt;br /&gt;- Quem?&lt;br /&gt;- Que faz o assistente da vilã!&lt;br /&gt;- Mentira! E aí?&lt;br /&gt;- Eu disse que tinha perdido, claro! Ele disse que vinha aqui trazer para mim, que eu tinha saído correndo, que a noite tinha sido incrível mas que tinha acabado cedo demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinderela quase caiu do nono andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Puta, que mala, o cara vai entrar numa comigo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deu duas horas o interfone tocou e Cinderela atendeu. Era a criatura:&lt;br /&gt;- Sem grilo. Vou fumar um cigarro na área, o menino vai ver que se enganou e vai-se embora – pensou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi, mas como tinha a audição bem treinada para ouvir as fofocas da sala de estar, acabou ouvindo a conversa. Dizia ele:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você foi no banheiro e sumiu. Seu celular ficou em cima da mesa.&lt;br /&gt;- Ah...eu precisei pegar uma carona, não te achei mais.&lt;br /&gt;- Engraçado, você é tão diferente do que eu lembrava...&lt;br /&gt;- È que eu acabei de acordar, to toda desarrumada...&lt;br /&gt;- Mais gordinha... – disse ele, deixando escapar o que devia ser só um pensamento.&lt;br /&gt;- É que preto emagrece – respondeu a mocréia, enfurecida. &lt;br /&gt;- Claro – respondeu o menino, se desculpando sem graça – eu também não devo estar parecendo nenhum príncipe. &lt;br /&gt;- Mas foi divertido, não foi?  A gente podia marcar um repeteco. – sugeriu a moça toda se querendo. &lt;br /&gt;- Claro! Vamos marcar. Eu te ligo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E antes que a irmã feia pudesse responder, o menino já tinha picado a mula se prometendo, de uma vez por todas, entrar para os alcoólicos anônimos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinderela respirou aliviada:&lt;br /&gt;- Ai, esse meu chame só me arruma encrenca...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu um último trago no cigarro, jogou a guimba pela janela e foi até a sala:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô D. Celina, esse telefone aqui é tem dono? Tava precisando de um celular novo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2415735818025689452-6439775482570778278?l=jobrea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jobrea.blogspot.com/feeds/6439775482570778278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2415735818025689452&amp;postID=6439775482570778278&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/6439775482570778278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/6439775482570778278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jobrea.blogspot.com/2009/07/historias-de-terror.html' title='Conto de fodas  - dedicado ao Comando Rosa'/><author><name>Dona Baratinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16306008659502428503</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2415735818025689452.post-2195629101361521982</id><published>2009-07-29T16:27:00.000-07:00</published><updated>2009-07-29T16:28:45.392-07:00</updated><title type='text'>será que ela é?</title><content type='html'>Eu sou o meu humor.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu senso de humor inconsequentemente sacana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;falo demais, falo besteira e dou muito menos importância para a opinião dos outros do que os outros acham que eu deveria dar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não tenho a menor relação com objetos ou bichos. Uso roupas até virarem panos de chão e tudo que me pertence é simbolicamente furado com brasa de cigarro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou meu mau humor&lt;br /&gt;Não brigo sério por nada. Mas brigo por nada o tempo todo. &lt;br /&gt;Sou combativa com tudo. Dou patada sem querer. &lt;br /&gt;Mas to sempre na boa. &lt;br /&gt;Vai entender... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou um excesso de opiniões pós adolescentes. &lt;br /&gt;hedonista, defensora do uso capião e fã da rebeldia&lt;br /&gt;filha da sensatez do meu pai com a organização da minha mãe. &lt;br /&gt;vergonhosamente intelectual, exaustivamente filosófica e dona de uma auto-estima cara de pau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu sou a antropofagia musical do alheio e a necessidade aristotélica da organização do caos.&lt;br /&gt;um pouco melhor por causa do amor, um pouco mais livre por causa da dor, um pouco mais triste por causa do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prosa demais para ser jornalista. Poética de menos para ser escritora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2415735818025689452-2195629101361521982?l=jobrea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jobrea.blogspot.com/feeds/2195629101361521982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2415735818025689452&amp;postID=2195629101361521982&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/2195629101361521982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/2195629101361521982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jobrea.blogspot.com/2009/07/sera-que-ela-e.html' title='será que ela é?'/><author><name>Dona Baratinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16306008659502428503</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2415735818025689452.post-5147441000884644036</id><published>2009-06-25T13:57:00.001-07:00</published><updated>2009-06-25T13:57:19.597-07:00</updated><title type='text'>Espero que você esteja assistindo</title><content type='html'>Você foi embora muito antes de eu poder lhe dizer qualquer coisa. Muito antes de eu saber que teria algo a dizer. Um pouco antes de eu saber quem eu era. E o quanto você fez de mim quem eu sou.Na infância, as mãos dadas e o chapéu azul que eu herdei, me mostravam o caminho do mar e do sol, que tantas vezes eu pus para dormir. De pequena, criou o hábito que virou vicio. Gravava os filmes que passavam fora do meu horário de tv. Sessão da tarde era hora do dever. Tela Quente era hora de dormir. E íamos, eu e meu irmão, acumulando uma caixa marrom de papelão, cheia de vhs amarelados.Todo final de semana, sentávamos juntos e assistíamos tantas vezes que decorávamos as falas. Eu gostava dos Goonies. Rodrigo preferia Scaramouche. Você curtia a trilogia do Eddie Murphy: O rapto do menino dourado, Um príncipe em NY, Um tira da pesada. Achava ”aquele crioulinho muito gozado”.Meu avozinho querido. Você nunca ficou sabendo que esse hábito viraria a minha maior paixão, meu salário, meu ganha pão. Você foi embora muito cedo. Sofrendo diante dos meus olhos. Arfando. Foi. Ficaram muitas saudades. E marcas indeléveis em mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2415735818025689452-5147441000884644036?l=jobrea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jobrea.blogspot.com/feeds/5147441000884644036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2415735818025689452&amp;postID=5147441000884644036&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/5147441000884644036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/5147441000884644036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jobrea.blogspot.com/2009/06/espero-que-voce-esteja-assistindo.html' title='Espero que você esteja assistindo'/><author><name>Dona Baratinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16306008659502428503</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2415735818025689452.post-5061530125506000838</id><published>2009-05-30T17:15:00.000-07:00</published><updated>2009-10-21T09:49:19.400-07:00</updated><title type='text'>Atrás da porta</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Estava escolhendo tomates quando viu D. Rosa na fila do açougue. Não via a velha vizinha desde que tinham se mudado para casa nova, sete anos atrás. Ela e Pedro.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Seu primeiro instinto foi puxar assunto. Por um momento, forçou-se a hesitar, fingindo não querer falar sobre Pedro. Mas rapidamente convenceu-se que deveria ser educada. Aproximou-se:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- Quem é vivo sempre aparece, não é, Dona Rosa? &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- Ô minha querida, quanto tempo!&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- O que faz por aqui?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- Vim almoçar na minha filha. Você sabe, mora aqui na rua de trás. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- Ah, sim. E como vai o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;netinho&lt;/span&gt;?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- Levado, menina, você precisa ver...E você, como está?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- Vou Indo...&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Houve uma pausa. Teve impressão que Dona Rosa podia enxergar através daquela normalidade fingida. A velha mulata continuou:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- Fiquei muito triste quando soube de você e do Pedro.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- A senhora soube?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- Ele está fazendo um serviço lá para minha patroa. Não sabia. Perguntei de você e ele me contou.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- O que ele disse?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- Nada. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Disse&lt;/span&gt; que tinha saído de casa.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- Foi melhor assim – falou, tentando sorrir – já estava cansada daquele imprestável.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Tinha sido em uma noite de semana. Ele chegara do trabalho calado mas o dia cansativo que tivera, pintando um apartamento &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;grã&lt;/span&gt;-fino, ainda era melhor do que voltar para as reclamações dela. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Jantaram em silêncio. A carne era sempre meio sem sal mas o feijão era &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;ótimo&lt;/span&gt;. Sentiria falta daquela comida. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- Coloquei uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;carninha&lt;/span&gt; no feijão que eu sei que você gosta – dizia ela abraçando-o, por trás da cadeira, enquanto ele se servia. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Como diria para ela? Quando diria para ela? Dia sim, dia não chegava do serviço disposto a terminar tudo. Mas aquela refeição quente amornava a sua coragem. E de estômago cheio, ligava a televisão para se distrair. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Naquele dia, no entanto, não conseguia pensar em outra coisa. Já tinha avisado ao amigo Zé que talvez precisasse de uma cama para dormir. Sentado com ela ao seu lado no sofá só via o cabelo desgrenhado, a pele cinza e frouxa, o vestido sem graça. O que seria dela quando ele partisse?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Resolveu dormir para afastar os pensamentos. Foi até o quarto para por o pijama. Ela veio atrás:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- O que você tem hoje?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- Nada, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;tô&lt;/span&gt; só cansado.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- Foi alguma coisa que eu fiz?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- Não, to cansado. – respondeu irritado. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ela ficou em silêncio por um tempo. Ele virou-se de costas, abotoando a camisa. Não viu quando ela respirou fundo antes de dizer o inevitável, já com os olhos marejados: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- Você vai me deixar, não é?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Aquelas palavras bateram nele com um misto de susto e alivio. Sua ausência tinha dito o que jamais teria sido capaz de expressar em palavras. Fechou os olhos por um momento e de repente foi tomado por uma ansiedade que implorava que ele não desperdiçasse aquela oportunidade. Virou-se. Não disse nada. A cabeça baixa e o silêncio confirmavam por ele.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- Porque? &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- Porque não dá mais.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- Você tem outra?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- Não. Eu só não te amo mais. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Por um tempo ela pensou que ele estivesse falando outra língua. Não fazia sentido. Quando finalmente compreendeu o que ele havia dito, o choro que engasgava sua garganta explodiu. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- Você não pode fazer isso! – praguejou, se jogando contra ele - Não pode! Não pode! Não pode! – continuou. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Mas já não tinha mais ele. Ao invés de ampara-la em seu desespero, ele permaneceu imóvel, os braços primeiro grudados ao lado do corpo, depois tentando &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;desvencilhar&lt;/span&gt;-se. Ela ia caindo lentamente, perdendo as forças a cada soluço até sentar-se no chão, desolada. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ele teve pena. Mas felizmente era tarde demais para voltar atrás. Deu alguns passos ao redor dela, pegou as roupas do dia, que estavam jogadas numa cadeira na quina do quarto, e saiu. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ela não conseguia parar de chorar. Achava que nunca mais conseguiria. Ele tinha parado na sala por um instante para trocar os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;pijamas&lt;/span&gt; pela calca &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;jeans&lt;/span&gt;. Mesmo sem olhar para trás, ela sentia que ele ainda não tinha ido embora. A casa ainda estava aquecida pelo calor de seu corpo. Estaria ele hesitante? Aquele pensamento encheu-a de esperança.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Parando de chorar por um instante, ela pegou as últimas forças que tinha e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;engatinhou&lt;/span&gt; até a porta do quarto. Através da moldura da porta, tudo que via era o lado esquerdo do seu corpo. Tinha mudado de roupa mais ainda estava descalço. Ele se arrastou mais um pouco, chamando-o baixinho. Ele enfiou os pés nos sapatos largados ao lado da mesa de jantar e saiu pela porta da rua.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ela explodiu. Os braços já não viam motivo para sustentá-la. Deixou seu corpo cair no tapete atrás da porta. Pedro tinha ido embora. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2415735818025689452-5061530125506000838?l=jobrea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jobrea.blogspot.com/feeds/5061530125506000838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2415735818025689452&amp;postID=5061530125506000838&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/5061530125506000838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/5061530125506000838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jobrea.blogspot.com/2009/05/atras-da-porta.html' title='Atrás da porta'/><author><name>Dona Baratinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16306008659502428503</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2415735818025689452.post-6927855986676901281</id><published>2009-05-12T17:03:00.000-07:00</published><updated>2009-05-12T17:06:17.836-07:00</updated><title type='text'>Os filmes dizem tudo que os pais não têm tempo para ensinar</title><content type='html'>Não tinha coragem de se largar de vez, sem cordas nem pinos, no abismo da esquizofrenia, mas, por vezes, sentia que seu mundo era o do lado de lá.&lt;br /&gt;Durante anos, aninhou seus desejos, inocente e inconsequentemente, em narrativas que não eram suas. E espelhou as suas histórias nos predicados de outros sujeitos.&lt;br /&gt;Órfã que era, mergulhou no mundo de fantasia de uma história sem fim e encontrou o tesouro de Willi “O Caolho”. Se apaixonou pela primeira vez por um homem mais velho que usava chapéu e manejava um chicote como ninguém. E começou a gostar de História passeando pelos séculos num DeLoren voador.&lt;br /&gt;Compulsiva desde criança, viciou-se, muito cedo, na sensação de viver através do transe hipnótico das imagens em movimento.&lt;br /&gt;Da fantasia infantil, passou direto às paixões da juventude e, aos&lt;br /&gt;16 anos, vivia a vida de cão de Ângela Chase. Inadequada e perdida na tentativa de conciliar a busca pela sua verdade com o pertencimento de formas, gostos e amizades que lhe cobravam artificialidades um tanto inoportunas.&lt;br /&gt;Todos os dias, depois do colégio, gastava suas tardes escrevendo e reescrevendo, de olhos fechados, aventuras amorosas com Jordan Catalano, a versão grunge do príncipe encantado dos anos 90, com seus cabelos compridos e sua camisa de flanela à la Kurt Cobain.&lt;br /&gt;Com o passar dos anos e a ampliação dos conflitos, virou Lelaina Pierce, uma mulher de 23 anos, recém formada em jornalismo catando seu lugar no mercado, entre a manutenção do sonho e cobrança do mundo material.&lt;br /&gt;Lelaina era documentarista mas ganhava a coca light de todas as horas trabalhando em um cargo porcaria num programa de televisão. Desvalorizada, sub-aproveitada, sem dinheiro e tentando entrar no mundo dos adultos sem perder a ternura.&lt;br /&gt;Não conseguiu. E, logo era a moça perdida na tradução de letreiros japoneses, olhando pela janela a paisagem desconhecida da metrópole que a engolia, sem reconhecer, nem nos rostos familiares, uma nesga de sol que acalentasse a esperança.&lt;br /&gt;Inspirada na dor de Charlotte, virou a vida do avesso, questionando  eu, tu, eles e todos os nós embaraçados das identidades em transformação.&lt;br /&gt;Jogou fora tudo que tinha como certo e se viu soterrada no arrependimento. Respirou fundo e se organizou para resgatar o que ainda servia. Foi a Montauk, de suéter laranja e cabelos vermelhos, e esperou. E com o pé fincado na areia, viu surgir novamente o brilho eterno das lembranças que ainda seriam construídas.&lt;br /&gt;Agora, chegando aos 30, com Saturno a deixando em paz, pretendia resgatar um pouco de tudo: a fantasia da infância, a inspiração da adolescência, a vontade da juventude e a consciência de que crises acontecem. Iria, tranquilamente, esperar pelo próximo filme que mudaria a sua vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2415735818025689452-6927855986676901281?l=jobrea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jobrea.blogspot.com/feeds/6927855986676901281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2415735818025689452&amp;postID=6927855986676901281&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/6927855986676901281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/6927855986676901281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jobrea.blogspot.com/2009/05/os-filmes-dizem-tudo-que-os-pais-nao.html' title='Os filmes dizem tudo que os pais não têm tempo para ensinar'/><author><name>Dona Baratinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16306008659502428503</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2415735818025689452.post-4742492289800845354</id><published>2009-05-05T15:34:00.000-07:00</published><updated>2009-05-12T18:24:26.931-07:00</updated><title type='text'>O Ethos do Maconheiro</title><content type='html'>Neste sábado aconteceu, no Rio de Janeiro, a Marcha da Maconha, um movimento que pleiteia  que a droga seja legalizada e, consequentemente, tratada como assunto de saúde pública - como ocorre com o cigarro e as bebidas alcoólicas - e não como caso de polícia. Ninguém ali está falando "Fumem!" e sim, "deixem fumar, quem quer fumar". Cada um sabe da sua vida.&lt;br /&gt;Do ponto de vista dos maconheiros é uma injustiça quase inacreditável que sequer exista polêmica em torno da discussão. E, polêmica, há de sobra. Das 12 cidades onde a manifestação deveria acontecer, em 9 ela foi proibída. Vejam bem: o que foi negado não foi o direito de fumar ou não, que este não já existe mesmo. Foi o direito de se manifestar em prol da causa. A liberdade de expressão só existe desde que não entre em conflito com a moral e os bons costumes. Afe...coisa mais antiga...&lt;br /&gt;Mas ok. Deixemos esta discussão de lado e foquemos no problema primordial: os maconheiros.&lt;br /&gt;Os maconheiros são tidos como aqueles que não querem nada com A Hora do Brasil: improdutivos, irresponsáveis e meio sujos, que só pensam em tocar Bob Marley no violão. Uma semi-balela generalista de gente que repete as coisas sem saber do que está falando.&lt;br /&gt;O povo que se orgulha de carregar o título de especialista adora argumentar que a maconha leva a dificuldades de aprendizado e que os adolescentes ficam atrasados na escola. Pô, ninguém tá falando que é legal adolescente passar o dia fumando maconha, como nenhum pai deixa menino de 14 anos beber cerveja, certo? Nada que educação e bom senso não resolvam, não é mesmo?&lt;br /&gt;Outro mito: a maconha leva a drogas mais pesadas. Na boa, não se trata de uma equação matemática onde x é igual a A ao quadrado + 2B. A onda de maconha em nada se parece com a de cocaína, por exemplo, e o cara que curte fumar um e ficar relaxadão no sofá nem sempre vai entrar numa de cheirar pó e ficar quicando pela rua. Pode perguntar para qualquer psicólogo. O que determina essa escalada nas drogas é a tendência à compulsão, condição que se manifestará na maconha, na cocaína, no álcool ou na comida e que deve ser tratada na terapia e no posto de saúde.&lt;br /&gt;De mais a mais, como disse um amigo meu, que inspirou esse texto, a cultura da maconha é algo que resguarda princípios bacanérrimos. Maconheiros compartilham. Baseados, boas idéias, tolerância e um amor infinito pelo desconhecido que tá ali do lado.&lt;br /&gt;O Gil disse uma vez, numa entrevista para TV Cultura, que a maconha fez muito pela música dele. Porque ela abre as portas da percepção, aumenta a sensibilidade e, muitas vezes, faz enxergar as coisas de outra maneira. Resta saber se o grande medo social é ter muita gente questionando o modo com que as coisas TEM QUE SER.&lt;br /&gt;Mas, cá entre nós, tem tanta coisa tão errada no mundo que até que não era má idéia, concordam?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2415735818025689452-4742492289800845354?l=jobrea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jobrea.blogspot.com/feeds/4742492289800845354/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2415735818025689452&amp;postID=4742492289800845354&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/4742492289800845354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/4742492289800845354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jobrea.blogspot.com/2009/05/o-ethos-do-maconheiro.html' title='O Ethos do Maconheiro'/><author><name>Dona Baratinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16306008659502428503</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2415735818025689452.post-3161680478718329433</id><published>2009-04-28T19:09:00.000-07:00</published><updated>2009-04-28T19:57:19.912-07:00</updated><title type='text'>Woody Allen, House e Oscar Wilde</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Acabei de ler a matéria do Globo sobre o filme novo do Woody Allen e, por mais que eu tenha certeza que ele se recusaria a ser idolatrado, não consigo deixar de achar o cara um semi-profeta. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Não vi o filme ainda. Nem olhei se ele já está disponível no maravilhoso mundo da pirataria. Mas pela matéria já deu para sentir que vai ser um do tipo de filme do Woody Allen que eu gosto. Eu sei, eu sei, Match Point é uma obra prima, o filme do qual ele mais se orgulha, blá bláblá mas além de achar parecido demais com Crimes e Pecados (dele também) não tem a verborragia irônica e descrente com a qual tanto me identifico. É meio pseudo filosófico demais e a coisa do tenis (talvez fosse essa a intenção) me lembra o Blow up, do Antonioni que - por favor, amantes de cinema, não venham me apoquentar - eu acho um saco. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Como ele diz na reportagem, eu também acho que o ser humano tem muito mais de podrão do que de bom selvagem. Acho quase um milagre a coisa toda funcionar. E por mais que eu deteste e não acredite em convenções sociais, são elas que seguram as pontas. Se qualquer coisa escorrega do eixo, vira o caos lá do Ensaio sobre a cegueira. Dar defeito é o padrão do ser humano, não o contrário. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O Woody Allen, na entrevista, faz uma ressalva recorrente quanto a isso: desde que não faça mau a ninguém. É claro, tamu junto. Mas que alguma maldade no coração tem sua graça, há isso tem. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Se não fosse assim, não existiriam, na ficção, questionadores morais irresistíveis como House e Sawyer (do Lost, amigo, em que mundo você vive?) Eles jogam o tempo todo com a franqueza em admitir que as pessoas não são altruístas e solidárias a priori. Elas fazem esforço para ser assim. E esse, talvez, seja o grande mérito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Talvez o personagem que leve isso às últimas consequências - e aí a coisa já sai do plano do divertido para o da camisa de força - é o Lord Henry, do livro O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. O cara é extra power rock and roll, muito além do seu, do meu, do nosso coraçãozinho preto. Ele é um hedonista assumido, um manipulador descarado, um egoísta &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;assustador. Admiro demais&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt; Oscar Wilde por ter deixado aberto o canal do id e escrito toda maldade  que nosso narcisimo é capaz de causar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Claro que a questão aqui não é advogar pela maldade e sim assumi-la como condição inerente ao ser humano que não nasceu querendo a paz mundial, muito menos, vida longa às baleias. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2415735818025689452-3161680478718329433?l=jobrea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jobrea.blogspot.com/feeds/3161680478718329433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2415735818025689452&amp;postID=3161680478718329433&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/3161680478718329433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/3161680478718329433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jobrea.blogspot.com/2009/04/woody-allen-house-e-oscar-wilde.html' title='Woody Allen, House e Oscar Wilde'/><author><name>Dona Baratinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16306008659502428503</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2415735818025689452.post-4385318866384156037</id><published>2009-04-27T19:15:00.000-07:00</published><updated>2009-04-27T19:18:55.800-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="western"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;The Amazing Race - parte 1&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;De cara, Madrid não diz muito a que veio. Todo mundo me falava que era uma espécie de São Paulo. E é. Só que bem mais colorida. &lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;Eu não falo espanhol e como não gosto de pagar de mané, não me atrevi a mandar um embromation. Mas rapidamente eu descobri que espanhol é, de fato, português com sotaque. Basta incorporar algumas palavras do vocabulário deles ao portunhol e temos una comunicacion casi perfecta!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="western"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;A cidade é frenética. Só descansa no período da siesta que é a melhor idéia do mundo e devia ser adotada pela ONU. É o caso de mandar um email pro Bono...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="western"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;Os lugarejos de tapas entraram para a lista das coisas do meu coração. Bebida barata, comida boa e permissão para fumar desbragadamente em lugares fechados. Genial. Aliás, todo o conceito de tapas é uma simpatia. A cada caña você ganha uma comidinha para forrar o estômago. Óbvio! Se nada mais der certo, eu largo o jornalismo e abro uma franquia do museu del ramon aqui no Rio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;O Prado foi o museu que mais gostei na Europa inteira. Andei de cabo a rabo, mas no fim, confesso, já tava cuspindo um tanto de marimbondo de tanto ver representações bíblicas. É jesuisinho que nasce, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;jesuisinho&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt; que morre, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;jesuisinho&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt; que nasce, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;jesuisinho que &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;morre. É anunciacion, crucificacion, los reis magos, puta madre...aliás, eu cheguei a conclusão de que o cristianismo é um grande boato.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;Um dia um mocinho comentou com o outro:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;p class="western"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;pô,  cara, outro dia eu tava pescando, conheci um cara genial. Ele tava  falando umas coisas bacanas, tipo você amar o próximo  como a ti mesmo. Divino.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;   &lt;p class="western"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;Pronto, daí para filho de Deus foi um pulo. &lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2415735818025689452-4385318866384156037?l=jobrea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jobrea.blogspot.com/feeds/4385318866384156037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2415735818025689452&amp;postID=4385318866384156037&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/4385318866384156037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/4385318866384156037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jobrea.blogspot.com/2009/04/amazing-race-parte-1-de-cara-madrid-nao.html' title=''/><author><name>Dona Baratinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16306008659502428503</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2415735818025689452.post-4994115743859413377</id><published>2009-04-26T18:12:00.000-07:00</published><updated>2009-04-26T19:07:30.688-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;The amazing race - parte 674&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dublin é a Caxambu da Europa. Tem uma rua principal, que o povo sob e desce sem muito o que fazer a não ser olhar as lojinhas de souvenir que se multiplicam a cada esquina. As grandes vedetes são os leprechaus - um duendinho ruivo meio do mau - e os apetrechos verdes de todas as formas.&lt;br /&gt;Destaque para o bom humor fanfarrão e a capacidade de rir de si mesmo. Como a camiseta com uma ovelha vestida para todas as estações do ano, sempre com uma chuvinha sobre a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei um final de semana lá e achei de bom tamanho. Chegando no aeroporto, pedro bó que sou, fiquei surpresa ao descobrir placas em irlandês. Uai, eles não falam inglês? Também. Mas tem lá o irlandês que, segundo me contaram, fala de trás para frente, que nem latim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entramos no ónibus que nos levaria até o centro da cidade. Era um sábado de sol e estávamos animadissimos com o dia que terminaria certamente em uma sucessão de pints num legítimo irish pub. No caminho, assistimos a um videozinho turístico  sonorizado com a única coisa que as pessoas conhecem da Irlanda: o U2! It’ a beautiful day! Sensacional!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assistindo o vídeo, ficou claro que a Irlanda é um país de beberrões. Entre as principais atrações turísticas da cidade (todas as 6), duas eram a destilaria Jameson e a fábrica da Guiness. Carioca bebedora de skol que sou, fui para a cervejaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando lá - como não? - tava tocando U2. De novo. Ainda bem que os caras tem uma vasta discografia. Vi o processo de manufatura, descobri que o grande case de marketing da marca é o livro dos recordes (que para mim foi um fracasso já que eu nunca tinha associado uma coisa a outra) e fui ao que interessava: minha amostra grátis. O último andar do prédio - o mais alto da cidade inteira - é um bar circular, todo envidraçado e apinhado de cachaceiro. Divertido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite, marcamos de sair com um brasileiro que havíamos conhecido no albergue. Ao conversarmos sobre a diversidade de pessoas no local em que estávamos hospedados, o menino me manda a seguinte pérola:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É albergue da juventude. Acho que pode ter no máximo 30 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peraí, filhinho...Eu devia ter sacado. Chegamos ao bar, pedimos três cervejas e o garoto faz o seguinte comentário:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum...ali tá dizendo que só vende cerveja para maiores de 21. Será que tem problema?&lt;br /&gt;- Quantos anos você tem?&lt;br /&gt;-20.&lt;br /&gt;Maravilha. Tô comprando álcool para menor. Pelo menos ele vai me achar uma coroa maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia inicial era tomar uma em cada bar mas acabamos conhecendo um irlandês figuraça, que falava igual ao Brad Pitt no Snatch, e tirou todas as minhas dúvidas. Explicou o bife deles com os ingleses e contou que o Bono nasceu num bairro de classe média mas diz que veio de um mais pobre que é para se fazer de roots. 5 pints mais tarde, voltei para casa bêbada e sabendo tudo sobre a luta pela independência na Irlanda. Uma noite cultural.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2415735818025689452-4994115743859413377?l=jobrea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jobrea.blogspot.com/feeds/4994115743859413377/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2415735818025689452&amp;postID=4994115743859413377&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/4994115743859413377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/4994115743859413377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jobrea.blogspot.com/2009/04/amazing-race-parte-674-dublin-e-caxambu.html' title=''/><author><name>Dona Baratinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16306008659502428503</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2415735818025689452.post-2828209146770198526</id><published>2008-07-31T05:56:00.000-07:00</published><updated>2008-07-31T11:18:58.593-07:00</updated><title type='text'>porque falar bobagem é preciso</title><content type='html'>Um dia, a minha irmã que acredita em baboseiras do RH e, de fato, é capaz de fazer o exercício "como você se vê daqui há 10 anos", me perguntou: qual é o seu sonho profissional? Franzi a testa como se ela tivesse falando outra língua. E eu sei lá? Improvisei uma resposta, que eu não sou muito de perder a palavra, mas fiquei com aquilo na cabeça. Putaqueopariu. Eu nunca parei para pensar o que eu quero do futuro, muito menos para pensar como eu vou conseguir. Não que eu queira ter metas que nem essa gente corporativa. Mas é muito triste viver sem sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois anos se passaram desde essa fatídica inquisição. Eu agora eu tenho sonhos.  Decidi. Quero viver de escrever bobagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De certa forma, já é o que eu faço.  E eu agradeço todos os dias a São Longuinho por isso, que um santo competente daquele não pode servir só para ganhar pulinho. São Longo é meu padroeiro profissional, o cara dos contatos. Afinal, se não fosse a amizade que ele tem no submundo dos duendes, como poderia achar tantas coisas?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2415735818025689452-2828209146770198526?l=jobrea.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jobrea.blogspot.com/feeds/2828209146770198526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2415735818025689452&amp;postID=2828209146770198526&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/2828209146770198526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2415735818025689452/posts/default/2828209146770198526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jobrea.blogspot.com/2008/07/porque-falar-bobagem-preciso.html' title='porque falar bobagem é preciso'/><author><name>Dona Baratinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16306008659502428503</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
